Farmacoterapia

Os inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRSs) constituem a base do tratamento farmacológico para as perturbações ansiosas. As benzodiazepinas (BZDs) são por vezes eficazes nos indivíduos com uma doença resistente ao tratamento. Contudo, nem todos os fármacos destas classes se encontram aprovadas pela FDA para o tratamento das perturbações ansiosas.

ISRSs

Os ISRSs — o citalopram, o escitalopram, a fluoxetina, a fluvoxamina, a paroxetina e a sertralina — demonstraram ser eficazes em todas as perturbações ansiosas exceptuando as fobias específicas, embora os resultados sejam menos significativos nos doentes com PAG. Se um determinado ISRS for ineficaz ou se causar efeitos secundários intensos, podem efectuar-se ensaios terapêuticos com 1 ou 2 outros fármacos. O perfil de efeitos secundários pode ser útil para a escolha de um agente.

Os ISRSs não constituem uma cura, nem mesmo um tratamento totalmente satisfatório, para as perturbações ansiosas, que são geralmente problemas crónicos. Embora os ISRSs possam produzir uma melhoria significativa na qualidade de vida, apenas cerca de 20% dos doentes ficam livres de sintomas em resultado da terapêutica e podem ser capazes de suspender a medicação, pelo menos durante alguns períodos de tempo. Na maior parte dos doentes, os ISRSs suprimem simplesmente os sintomas; quando o fármaco é suspenso, os sintomas têm probabilidades de voltar.

Os doentes que não respondem totalmente à posologia mínima eficaz dum ISRS podem apresentar melhores resultados com posologias mais elevadas, desde que os efeitos secundários não sejam impeditivos. A referenciação para um especialista é recomendada quando os doentes excedem a posologia habitual, por exemplo, mais de 60 mg/ dia de paroxetina ou 200 mg/dia de sertralina. Um especialista pode aconselhar o aumento ou a substituição por outro medicamento.

Todos os ISRSs apresentam efeitos secundários. Uma vez que os doentes com perturbações ansiosas, particularmente os que experimentam ataques de pânico, podem apresentar uma baixa tolerância aos medicamentos, é importante começar qualquer medicação com uma posologia baixa. Os doentes podem apresentar uma má tolerância devido ao seu medo das sensações corporais ou podem ser realmente fisiologicamente sensíveis aos medicamentos. Os doentes podem frequentemente aumentar a sua tolerância se a posologia for aumentada gradualmente. Outros medicamentos Se 2 ou 3 ISRSs diferentes demonstrarem ser ineficazes, pode ser experimentada uma BZD, como o alprazolam, o clonazepam, o diazepam ou o lorazepam. Apesar das suas desvantagens bem conhecidas, as BZDs podem ser os únicos fármacos a resultarem em alguns doentes.

Diversos outros agentes e classes farmacológicas foram já experimentados nas perturbações ansiosas com resultados variáveis.

  • Refere-se que a PAG responde melhor à venlafaxina, um inibidor da recaptação da serotonina-noradrenalina.
  • Algumas pessoas respondem bem à buspirona, um agente ansiolítico, que tem um início de acção suave.
  • Os beta-bloqueantes, tais como o propranolol, parecem ter um papel na ansiedade com a acção. A evidência inicial sugere que a utilização dum betabloqueante pouco depois da ocorrência dum traumatismo pode prevenir ou minorar a PSPT resultante.
  • A utilização de anti-psicóticos atípicos nas perturbações ansiosas deve ser reservada aos doentes extremamente agitados ou resistentes ao tratamento, de preferência após referenciação. Um especialista pode ponderar o tratamento com olanzapina para as perturbações graves do sono.
  • As associações de medicamentos são por vezes benéficas nos doentes extremamente ansiosos. Por exemplo, a associação de sertralina com clonazepam demonstrou resultar numa melhoria mais rápida do que com a sertralina isolada nos doentes com perturbação de pânico. Nesse ensaio, o clonazepam foi administrado durante as primeiras 4 semanas do estudo e depois reduzido progressivamente ao longo de 3 semanas e suspenso.

- Ansiedade.com